Duarte Mendes

Madrugada

Grand Final Draw #16 16th place 16 pts

Lyrics

Madrugada

Dos que morreram sem saber porquê Dos que teimaram em silêncio e frio Da força nascida no medo E a raiva à solta manhã cedo Fazem-se as margens do meu rio

Das cicatrizes do meu chão antigo E da memória do meu sangue em fogo Da escuridão a abrir em cor Do braço dado e a arma flor Fazem-se as margens do meu povo

Canta-se a gente que a si mesma se descobre E acorda vozes, arraiais Canta-se a terra que a si mesma se devolve Que o canto assim nunca é demais

Em cada veia o sangue espera a vez Em cada fala se persegue o dia E assim se aprendem as marés Assim se cresce e ganha pé Rompe a canção que não havia

Acordem luzes nos umbrais que a tarde cega Acordem vozes, arraiais Cantem despertos na manhã que a noite entrega Que o canto assim nunca é demais

Cantem marés por essas praias de sargaços Acordem vozes, arraiais Corram descalços rente ao cais, abram abraços Que o canto assim nunca é demais O canto assim nunca é demаiѕ

Voting breakdown

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